terça-feira, 10 de novembro de 2009

Aquele cheiro perdido na lembrança
Que aparece nos momentos de agonia
É um pedacinho daquela criança
Que foi feliz e saudável um dia
Olhe e veja que estou aqui
Suspiros, gemidos, ruídos de amor
Com um sopro que ti faz sentir
Aquele temível e singelo grito de horror
Esforço-me para ver o em mim que me fala
Mas a resposta que obtenho é esse ser que se quer secreto
E que por isso
Se cala!
Aquele grito que você quer escutar
Não é tão eficaz quanto o tremor do meu silêncio...

... aquele desespero louco que é o dos mansos...
Estou bem longe
Aqui tão perto
E logo ali
Não sei de onde
Esse deserto
Existe aqui
MESMO QUERENDO SER COMPREENDIDA
MESMO PROCURANDO UMA SAÍDA
NÃO ME POSSO SER LIDA
E SÓ ME RESTA A OPÇÃO DE ME TORNAR
ENIGMA

Os pensamentos são todos cortados, as ideias se entrelaçam, as lembranças se mesclam com fantasias...
Não consigo a constância da linearidade...
Simplesmente não consigo me apagar completa e começar a me escrever numa linha contínua...
Acho que nunca chegarei ao âmago das coisas pois sou muito relapsa
A minha concentração é aquela que se retém em pontos que se diluem e se transformam em reticências
O que restou de mim do dia
se refaz à noite nos sonhos.
E quando o sol nasce já não faz sentido...
estou inteira novamente,
mas isso não significa que completa.
Pois sempre sou um pedaço diferente
e acho que nunca me conseguirei montar
as peças sempre mudam e sempre há novos encaixes a serem feitos.
Esse tempo seco que ameaça minha boca e minha respiração,
mas que jamais ressecará meus olhos!