terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Gestação Cabeça

A cabeça que pensa
na cabeça que entrou
e na cabeça que sairá...

...e a cabeça que se perde...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Aquele cheiro perdido na lembrança
Que aparece nos momentos de agonia
É um pedacinho daquela criança
Que foi feliz e saudável um dia
Olhe e veja que estou aqui
Suspiros, gemidos, ruídos de amor
Com um sopro que ti faz sentir
Aquele temível e singelo grito de horror
Esforço-me para ver o em mim que me fala
Mas a resposta que obtenho é esse ser que se quer secreto
E que por isso
Se cala!
Aquele grito que você quer escutar
Não é tão eficaz quanto o tremor do meu silêncio...

... aquele desespero louco que é o dos mansos...
Estou bem longe
Aqui tão perto
E logo ali
Não sei de onde
Esse deserto
Existe aqui
MESMO QUERENDO SER COMPREENDIDA
MESMO PROCURANDO UMA SAÍDA
NÃO ME POSSO SER LIDA
E SÓ ME RESTA A OPÇÃO DE ME TORNAR
ENIGMA

Os pensamentos são todos cortados, as ideias se entrelaçam, as lembranças se mesclam com fantasias...
Não consigo a constância da linearidade...
Simplesmente não consigo me apagar completa e começar a me escrever numa linha contínua...
Acho que nunca chegarei ao âmago das coisas pois sou muito relapsa
A minha concentração é aquela que se retém em pontos que se diluem e se transformam em reticências
O que restou de mim do dia
se refaz à noite nos sonhos.
E quando o sol nasce já não faz sentido...
estou inteira novamente,
mas isso não significa que completa.
Pois sempre sou um pedaço diferente
e acho que nunca me conseguirei montar
as peças sempre mudam e sempre há novos encaixes a serem feitos.
Esse tempo seco que ameaça minha boca e minha respiração,
mas que jamais ressecará meus olhos!

terça-feira, 21 de abril de 2009

pequenas e fragmentárias memórias

...Lembro-me daquela menina apavorada, que beijava com um olho fechado e um aberto. Tinha que ver quem passava. Já pensou se passava alguém que não podia? Nesse momento não se pensava no beijo, mas nas possíveis consequências do beijo, da maneira mais drástica possível. Nem percebia quando tudo acabava, esse tudo que se resumia a alguns segundos de boca, língua e saliva. Contava os passos até em casa. Seu andar se transformava em uma corrida de passos desajeitados, desesperados, receosos... O coração palpita em ritmo mais acelerado, acompanhando os pés. Aquele nó na garganta que se aperta cada vez mais com a chegada que se aproxima. Não olha para nada, não sabe quem vai na rua ao seu lado, não pensa, só anda...Então percebe que está tensa, mas precisa mostrar naturalidade, mas como, se o coração vai a mil por hora, a cabeça gira, o corpo treme? É chegada a hora, não sabe o que fazer, o que falar, como agir... só vai... e quando chega, a surpresa! Seu pai não está em casa...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Cínt[nica]

Daqui eu vejo sua máscara cair
Daqui eu vejo sua nudez
E como ela é feia!
O grande vazio que você procura disfarçar
E que só consegue transparecer sua podridão
Psicopata? Doente?
Não!
Você é só um verme!
Que nem merece atenção
Que só entende de feridas e pus
E toda a sua vida a isso se traduz!

"Florbela In Memoriam"

Uma poesia forte
Uma mulher forte
Um tempo agressivo
e opressivo
O romper da aurora através do nascer dos versos
e dos gestos

Amar, Amar e Amar
Sem prisões, restrições
Aversão aos grilhões,
separações...

A vontade de superação constante
A poesia cortante
De desejo ardente

A dor companheira confidente
E um grito que nunca se cala
estridente...