terça-feira, 21 de abril de 2009

pequenas e fragmentárias memórias

...Lembro-me daquela menina apavorada, que beijava com um olho fechado e um aberto. Tinha que ver quem passava. Já pensou se passava alguém que não podia? Nesse momento não se pensava no beijo, mas nas possíveis consequências do beijo, da maneira mais drástica possível. Nem percebia quando tudo acabava, esse tudo que se resumia a alguns segundos de boca, língua e saliva. Contava os passos até em casa. Seu andar se transformava em uma corrida de passos desajeitados, desesperados, receosos... O coração palpita em ritmo mais acelerado, acompanhando os pés. Aquele nó na garganta que se aperta cada vez mais com a chegada que se aproxima. Não olha para nada, não sabe quem vai na rua ao seu lado, não pensa, só anda...Então percebe que está tensa, mas precisa mostrar naturalidade, mas como, se o coração vai a mil por hora, a cabeça gira, o corpo treme? É chegada a hora, não sabe o que fazer, o que falar, como agir... só vai... e quando chega, a surpresa! Seu pai não está em casa...

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